{"id":41236,"date":"2026-04-14T14:56:33","date_gmt":"2026-04-14T17:56:33","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.procomum.org\/?p=41236"},"modified":"2026-04-29T09:06:12","modified_gmt":"2026-04-29T12:06:12","slug":"ctrl-z-um-passo-para-tras-e-voce-ja-nao-esta-no-mesmo-lugar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novosite.procomum.org\/en\/2026\/04\/ctrl-z-um-passo-para-tras-e-voce-ja-nao-esta-no-mesmo-lugar\/","title":{"rendered":"CTRL + Z: Um passo para tr\u00e1s e voc\u00ea j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 no mesmo lugar"},"content":{"rendered":"<p>Na sexta-feira, 10\/4, aconteceu o lan\u00e7amento da <a href=\"https:\/\/ctrlz.org.br\/\">CTRL + Z<\/a>, uma organiza\u00e7\u00e3o que articula institui\u00e7\u00f5es e pessoas para enfrentar as big techs no Brasil. A ideia \u00e9 investigar e expor abusos, mover a\u00e7\u00f5es judiciais estrat\u00e9gicas e mobilizar pessoas \u2013 transformando indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o organizada e efetiva pela responsabiliza\u00e7\u00e3o das gigantes de tecnologia, e pela transforma\u00e7\u00e3o do setor de tecnologia visando o bem-estar coletivo. A organiza\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada a partir do apoio institucional do Procomum.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Precisamos fazer com que as empresas de tecnologia tenham medo das pessoas, n\u00e3o que as pessoas tenham medo das empresas de tecnologia&#8221;, Dani Silva, uma das fundadoras do CTRL + Z.<\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CTRL+Z: DESFAZER A DISTOPIA, RETOMAR A INTERNET\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RJNQt60o3Ac?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O nome da organiza\u00e7\u00e3o remete \u00e0 ideia de desfazer e dar um passo para tr\u00e1s no avan\u00e7a da tecnologia, especialmente da Internet, que foi privatizada e tomada pelas big techs.<\/p>\n<p>Vale sempre lembrar que a Internet nasceu a partir de tecnologias livres: os protocolos (HTTP, IP, DNS, HTML), que foram disponibilizados livremente e garante a infraestrutura da rede; os softwares e servidores(Linux, Apache, Sendmail), que fazem a Internet funcionar e s\u00e3o a base operacional da rede; as linguagem de c\u00f3digo aberto (PHP, Python, Perl, MySQL), que permitem a cria\u00e7\u00e3o de sites, apps e interatividade com os usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Todas essas tecnologias foram criadas, disponibilizadas e s\u00e3o mantidas por comunidades e pessoas que decidiram que essas tecnologias devem ser livres e colaborativas. Elas e outras ferramentas que estimulam a troca de conhecimento &#8211; como a Wikipedia e o o Internet Archive &#8211; n\u00f3s damos o nome de comuns digitais. As big techs se apropriam delas para criar sistemas e lucram muito com isso. E o pior, causam preju\u00edzos para a vida das pessoas e a democracia ao redor mundo.<\/p>\n<p>O CTRL + Z quer dar um passo atr\u00e1s nisso tudo.<\/p>\n<p><strong>Suspender uma tarefa<\/strong><\/p>\n<p>Aqui na Procomum, al\u00e9m de defender e fomentar\u00a0 comuns digitais, acreditamos\u00a0 neles como ferramenta de atualiza\u00e7\u00e3o e aprendizagem para a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Entendemos que as ferramentas digitais colaborativas podem servir de inspira\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica para processos mais participativos e solu\u00e7\u00f5es descentralizadas de problemas, por exemplo.<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/p\/DWRHjjkEaSu\/?img_index=1<\/p>\n<p>E quando falamos em comuns digitais, acreditamos ser importante conhecer um pouco a hist\u00f3ria da computa\u00e7\u00e3o que remete a um per\u00edodo de muita inova\u00e7\u00e3o, criatividade e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Com o crescimento da Internet e o avan\u00e7o da era digital \u00e0s vezes fica um pouco complicado entender alguns conceitos, mas na verdade a l\u00f3gica computacional \u00e9 a mesma, o que mudou \u00e9 a escala. Ent\u00e3o, entender as bases da computa\u00e7\u00e3o nos ajuda a pensar solu\u00e7\u00f5es para os problemas complexos que vivemos.<\/p>\n<p>Quando pesquisamos a hist\u00f3ria do comando <em>Ctrl + z<\/em>, percebemos que ele \u00e9 uma met\u00e1fora profunda sobre retomada de controle, tanto no n\u00edvel t\u00e9cnico quanto no pol\u00edtico. Ele tem duas fun\u00e7\u00f5es diferentes: a primeira delas foi criada no mundo dos terminais Unix e Linux, onde tem uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e poderosa: suspender temporariamente o processo que est\u00e1 rodando em primeiro plano. Pression\u00e1-lo \u00e9 como apertar o bot\u00e3o em um programa em execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sistema operacional Unix foi desenvolvido nos laborat\u00f3rios da Bell Labs na d\u00e9cada de 1970. A cria\u00e7\u00e3o do Unix por Ken Thompson, Dennis Ritchie e outros vision\u00e1rios\u00a0 e estabeleceu as bases para a maioria dos conceitos que usamos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s do atalho, h\u00e1 um mecanismo sofisticado de comunica\u00e7\u00e3o entre processos chamado sinais (<em>signals<\/em>). Quando voc\u00ea pressiona <em>Ctrl+z<\/em>, o terminal envia um sinal espec\u00edfico chamado SIGTSTP (<em>Signal &#8211; Terminal Stop)<\/em> para o processo em execu\u00e7\u00e3o. Ele instrui o sistema operacional a pausar aquele processo imediatamente.<br \/>\nO processo fica em um estado suspenso (<em>stopped<\/em>), mas ainda presente na mem\u00f3ria. O controle do terminal \u00e9 devolvido ao <em>shell<\/em>, que fica livre para executar outros comandos.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os computadores eram compartilhados por mais de uma pessoa e a pouca mem\u00f3ria, o que impedia a execu\u00e7\u00e3o de mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Com sua implementa\u00e7\u00e3o, foi poss\u00edvel pausar uma tarefa e recome\u00e7\u00e1-la exatamente onde havia parado.<\/p>\n<p>Assim, em analogia ao nascimento da organiza\u00e7\u00e3o, a primeira funcionalidade do <em>Ctrl+z<\/em>\u00a0nos mostra que \u00e9 poss\u00edvel: suspender a extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de dados pois as big techs operam num fluxo cont\u00ednuo de coleta, an\u00e1lise e monetiza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es pessoais; suspender a automatiza\u00e7\u00e3o, afinal,\u00a0 algoritmos de recomenda\u00e7\u00e3o e modera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado muitas vezes rodam sem supervis\u00e3o humana, causando danos em escala; e devolver o controle \u00e0 sociedade,\u00a0 a ideia \u00e9 que a sociedade recupere a soberania sobre seu ambiente digital, em vez de ser ref\u00e9m das decis\u00f5es unilaterais de algumas empresas.<\/p>\n<p><strong>Desfazer uma a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A segunda funcionalidade do atalho \u00e9 a mais conhecida e popular. Est\u00e1 presente em quase todos editores de texto e softwares gr\u00e1ficos modernos. Trata-se do comando universal de desfazer algo (undo). Ele resolve um problema computacional ainda mais antigo e fundamental:\u00a0 um erro de digita\u00e7\u00e3o em um editor de texto podia ser desastroso.<\/p>\n<p>https:\/\/www.instagram.com\/p\/DXF21EykdKb\/?img_index=1<\/p>\n<p>Imagine que, antigamente, trabalhar em um documento importante e apagar um par\u00e1grafo ou algumas linhas de c\u00f3digo sem querer poderia ser\u00a0 um dano irrevers\u00edvel. A possibilidade da fun\u00e7\u00e3o Undo transformou a rela\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio com o computador pois agora ele podia tentar, errar, desfazer e tentar de novo.<\/p>\n<p>E sua principal revolu\u00e7\u00e3o veio justamente das comunidades de software livre, especialmente nos editores de texto puros como o Vim e o Emacs , muito utilizados por programadores. Nestes ambientes de cria\u00e7\u00e3o colaborativa, foi criada um avan\u00e7o da fun\u00e7\u00e3o chamada\u00a0 Undo Tree que permite navegar por um hist\u00f3rico de a\u00e7\u00f5es que \u00e9 n\u00e3o linear e desfaz\u00ea-las.<\/p>\n<p>Voltando de novo \u00e0 analogia ao trabalho da organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel:n desfazer a concentra\u00e7\u00e3o de poder, as big techs acumularam poder de mercado, econ\u00f4mico e informacional ao longo de duas d\u00e9cadas \u00e9 importante para reverter fus\u00f5es abusivas, pr\u00e1ticas anticompetitivas e a captura da aten\u00e7\u00e3o; reverter danos \u00e0 democracia, \u00e9 urgente atacar a desinforma\u00e7\u00e3o eleitoral, discurso de \u00f3dio algor\u00edtmico e for\u00e7ar as plataformas a implementar mecanismos de corre\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o; restaurar a privacidade significaria devolver aos indiv\u00edduos o direito de apagar seus rastros digitais de forma efetiva.<\/p>\n<p><strong>Devolver o controle<\/strong><\/p>\n<p>O CTRL + Z nasce portanto desta ideia\u00a0 de ampliar a funcionalidade do comando para a esfera pol\u00edtica e econ\u00f4mica, devolver ag\u00eancia \u00e0 sociedade frente a corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para acompanhar o trabalho da organiza\u00e7\u00e3o, acesse o <a href=\"https:\/\/ctrlz.org.br\/\">site<\/a> e inscreva-se na <a href=\"https:\/\/newsletter.ctrlz.org.br\/\">newsletter.<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sexta-feira, 10\/4, aconteceu o lan\u00e7amento da CTRL + Z, uma organiza\u00e7\u00e3o que articula institui\u00e7\u00f5es e pessoas para enfrentar as big techs no Brasil. 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